Oração e Restauração

Por Reinaldo Bui

Está alguém entre vocês sofrendo? Ore. Está alguém feliz? Cante louvores. Há alguém doente entre vocês? Chame os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele o unjam com azeite, em nome do Senhor. E a oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, será perdoado. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz. Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio. Orou outra vez, e o céu enviou chuva, e a terra produziu os seus frutos. Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, lembrem-se disso: Quem converte um pecador do erro do seu caminho, salvará a vida dessa pessoa e cobrirá uma multidão de pecados (Tg 5.13-20). 

Chegamos ao fim. Mas não sem problemas, pois esta passagem reúne uma série de históricos mal-entendidos teológicos. Foi nestes versículos que a Igreja Católica baseou-se para instituir o sacramento da extrema-unção. Já no sec. III, havia o costume de ungir enfermos consagrando-os por um bispo. No séc. X a importância deste ato cresceu tanto que decidiu-se que seria feita exclusivamente por um sacerdote católico. No séc. XII surgiu a ideia da extrema unção e restringe-se aos fiéis que estão diante da morte iminente. No séc. XIII tornou-se oficialmente um dos sete sacramentos. Por fim, em 1545 o Concílio de Trento considerou anátema negar sacramento instituído por Cristo, inclusive este. Já na Igreja Evangélica, os pregadores da ‘cura pela fé’ acreditam que esta passagem é base para que o crente não permaneça enfermo, mas seja curado. Porém, na realidade, muitos “ungidos” em seus leitos permaneceram doentes e outros vieram a falecer. O que dizer diante de todas estas coisas? O que exatamente Tiago quis comunicar nestes versículos?

Observando este texto, logo de início podemos fazer três afirmações:

  1. Não há aqui nenhuma sugestão de óleo especial ou consagrado;
  2. Não é preparação para a morte, mas restauração para a vida;
  3. A ênfase não é em cura física nem remissão de pecados, mas cura espiritual e restauração de comunhão.

Recordando o contexto da carta, Tiago falou de perseverança na perseguição, dos erros de falar mal do outro, da exploração econômica, abordou a importância da paciência e agora fala de sofrimento (v.13) enfatizando a importância da oração. Tiago quer ensinar que o homem, pela oração, abre as portas para Deus agir. Note que dos versos 13 a 18, todos falam de orar, mais especificamente o papel da oração no cotidiano (que no caso deles incluía o sofrimento). Não somos exceção, embora as fontes e razões das nossas lutas sejam outras.

Neste caso, quem é o enfermo? A palavra usada para doente (astheneo) aparece 35 vezes no NT. Destas, 16 vezes se refere a doenças físicas, principalmente nos evangelhos, mas na maioria das vezes (principalmente nas epístolas) esta palavra descreve fraqueza espiritual e emocional. A julgar o contexto aqui, podemos concluir que se trata de pessoas que traziam o resultado da perseguição e maus-tratos, ou seja, fragilizadas emocional e espiritualmente. Não sou contra a ideia de Deus curar doenças físicas, mas acredito que agora não é o que está sendo tratado aqui. O debilitado e fraco que Tiago se refere está precisando do apoio pastoral e os presbíteros eram aqueles que cumpriam esta função na igreja. Os presbíteros deveriam orar pelo enfraquecido e ungi-lo com óleo. Na cultura hebraica, o óleo era empregado em algumas situações como o cuidado com o corpo na higiene pessoal (Mt 6.17). Também usava-se quando queria-se honrar um visitante (Mt 26.7; Lc 7.38, 46). Usava-se no preparo do corpo de um morto (Mc 16.1). Além destas, o óleo ainda desenvolvia importante função terapêutica (Mc 6.13).

Isto faz-nos pensar que quem estava fraco ou enfermo, estava por causa de maus-tratos, talvez com feridas e assim estes lhe ministrariam o medicamento disponível para seu bem estar. Nada havia nada de místico ou sobrenatural no uso do óleo naquela cultura (Lc 10.34), era meramente terapêutico. Também não há erro algum em se usar dos recursos da medicina – não se trata de incredulidade. Lucas era médico (Cl 4.14) e curava enfermos usando a medicina; Paulo indicara um medicamento a Timóteo (1Tm 5.23), e deixou Trófimo em Mileto por estar doente. Os presbíteros deveriam visitar os enfermos, ungi-los com óleo e orar. Esta ‘Oração de fé’, segundo Tiago 1.6-8, é uma oração feita por quem é fiel a Deus.

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Quem são os menos evangelizados no Brasil?

Pela Ultimato

Deus chamou toda a Igreja para proclamar todo o Evangelho em todo o mundo. Há ainda mais de 2.000 povos no mundo sem o conhecimento do Evangelho, cerca de 3.000 línguas sem um verso bíblico em seu idioma e 2 bilhões de pessoas que não conhecem o Senhor Jesus.

No Brasil há oito segmentos reconhecidamente menos evangelizados, sendo sete socioculturais e um socioeconômico.

1. Indígenas
Com 117 etnias sem presença missionária e sem o conhecimento do Evangelho. Estas etnias, com pouco ou nenhum conhecimento de Cristo, espalham-se por todo o Brasil com forte concentração no Norte e Nordeste.

2. Ribeirinhos
Na bacia amazônica há 37.000 comunidades ribeirinhas ao longo de centenas de rios e igarapés. As pesquisas mais recentes apontam a ausência de igrejas evangélicas em cerca de 10.000 dessas comunidades4.

3. Ciganos (sobretudo da etnia Calon)
Há cerca de 700.000 Ciganos Calon no Brasil e apenas 1.000 se declaram crentes no Senhor Jesus. Os Ciganos espalham-se por todo o território nacional nas grandes e pequenas cidades, vivendo em comunidades nômades, seminômades ou sedentárias.

4. Sertanejos
Louvamos a Deus por tudo que tem ocorrido no Sertão nos últimos 10 anos – centenas de assentamentos sertanejos evangelizados e muitas igrejas plantadas. Há, porém, ainda 6.000 assentamentos sem a presença de uma igreja evangélica.

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Fé Sem Obras

Por Reinaldo Bui

De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia, e um de vocês lhe disser: Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até ficar satisfeito, sem, porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, estará morta. Mas alguém dirá: Você tem fé, eu tenho obras. Mostra-me sua fé sem obras e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras. Você crê que existe um só Deus? Muito bem, até mesmo os demônios crêem – e tremem (Tg 2.14-19). 

Como administrar um possível erro ou discordância dentro da Bíblia? Se cada escritor da Bíblia desse sua própria ideia, então a credibilidade das Escrituras estaria comprometida. Lutero lutou contra este trecho da carta (chegando a chamá-la de epístola de palha), pois a igreja católica defendia por esta passagem a ideia de salvação pelas obras. Aparentemente há um choque com o que Paulo escreve em Romanos 3.28, onde argumenta que a justificação é exclusivamente por fé. Digo aparentemente, pois quando entendemos a mensagem de Tiago compreendemos que está em plena harmonia com a de Paulo. Precisamos entender que o assunto central deste capítulo não é obras, mas fé, com ou sem obras, e isto fica claro quando lemos os versículos 1, 5, 14, 17, 19, 20 e 22 deste capítulo. Tiago não está questionando outra coisa, se não, tipos de fé. Precisamos lembrar que os apóstolos estavam familiarizados com (e pregavam!) a doutrina da salvação pela fé. O que é ela? É a confiança de que podemos nos chegar a Deus somente por ação divina, ou seja, Cristo pagou nossos pecados, e por crer na suficiência da Sua obra, somos declarados justos. Paulo deixa isto muito bem claro em Romanos 5.1. O que Tiago questiona em sua carta é: se a fé que você declara ter não traz implicações na sua vida (v. 14), tem ela poder para salvar? Ele chama esta fé de “morta” (v. 17 e 26), inoperante (v. 20) e chega a comparar ao mesmo tipo de fé dos demônios (v. 19). Ele não está questionando a salvação pela fé, mas sim a fé estática, sem obras, diferente da fé genuína que vai muito além de ser de conversa, declaração, etc. Tiago questiona não a fé em si, mas uma fé específica, e afirma que se não há manifestações na vida, esta já é uma evidência de uma falsa fé.

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Em três dias, um time se forma

Por Ricardo Régener

Começou o 61° Projeto Missionário da Missão Juvep

Foto por Talita Abrantes

Foto por Talita Abrantes

Depois de um final de semana de chuva copiosa, nessa segunda-feira os 79 projetistas do 61º Projeto Missionário despertaram com um arco-íris desenhado no Pátio da base de treinamento da missão JUVEP (foto acima).

Desde a noite de sexta-feira, uma profusão gostosa de sotaques, feições e formas de orar e adorar tomou conta da sede da missão, em Cabedelo-PB: além de paraibanos somos amazonenses, cariocas, paulistas, catarinenses, piauienses… temos entre nós até mesmo uma irmã chilena.

“O maior desafio do nosso treinamento é transformar esse conjunto de pessoas que não se conhecem em um time coeso e com visão de reino”, explica Salete Pinheiro, “o que queremos viver durante esses dias é o que está escrito em Atos 2:42, queremos perseverar juntos na boa doutrina, no partir do pão, na comunhão e na oração”.

Para dar conta do desafio, o treinamento é dividido em palestras relacionadas a Intercessão, Evangelismo Pessoal, Vida em Grupo, Batalha Espiritual e Intercessão, entre outros assuntos.

A projetista Marta Gonzalez, chilena que vive em São Paulo há 14 anos, diz que será um desafio enorme entender o falar sertanejo e ser entendida: “quando me inscrevi para o projeto, nem sabia o que eram quilombolas e não tinha muita noção sobre a cultura sertaneja”. A Palaestra de “Realidade Sertaneja”, ministrada pelo pastor Cesário Conserva, foi essencial para Marta durante o treinamento: “apesar da dificuldade com a língua, tenho pedido a Deus compaixão para me identificar com as dores daquele povo antes de tudo”.

O jovem Giovani Brasileiro, de Campina Grande-PB, veio para o treinamento interessado no teatro, mas descobriu aqui seu interesse pela intercessão, “eu achei muito bonito quando descobri a importância das pessoas que ficam intercedendo enquanto outras vão para as ruas evangelizar na cidade que vamos alcançar”, diz o jovem, “depois de descobrir mais sobre batalha espiritual, manifestações demoníacas, tenho certeza que meu lugar nesse projeto é a intercessão”.

A equipe da sexta-feira mantém a sua beleza nessa segunda, mas agora muito mais coesa e engajada no propósito de todos nós: evangelizar a Vila do Espírito Santo e alguns de seus povoados vizinhos entre essa terça-feira, dia 17, e até o dia 30 de junho. O arco-irís em nosso pátio essa manhã de alguma maneira simboliza isso.

Ore por nós!